Eu não entendia como fazer uma coisa tão simples quanto arroz poderia ser complicado até decidir casar.

Dias antes do casamento, em um almoço de domingo na casa da minha sogra fomos aprender como fazer arroz. Ela explicou o passo a passo, eu e maridão obervando tudinho e “entendendo”.

Pois bem. Casamos, mudamos, fizemos mercado. Eis que chegou o dia do primeiro arroz. E do segundo, e do terceiro e do quarto.

O primeiro arroz ficou praticamente uma sopa, refletindo a minha ansiedade em tirá-lo do fogo para ver se estava bom. Obviamente neste dia eu já não lembrava mais nenhum passo do “how to do” que a minha sogra nos passou.

No segundo dia eu me contive um pouco mais e deixei ele mais um pouquinho no fogo. Ficou médio, posso dizer. Tinha alguma coisa estranha, mas que eu preferi não refletir a respeito.

O terceiro arroz ficou perfeito. Sequinho, cozido, soltinho, sem ficar muito papa no fundo, exceto por um pequeno detalhe: o sal. Eu fiz o arroz toda concentrada para acertar e esqueci de por a merda do sal. Como tenho um marido muito compreensivo e necessitado de sal no arroz, ele falou que estava ótimo e tascou sal no arroz. (Nota: sem sal ficava literalmente incomível).

No quarto arroz da vida de casado eu me dediquei: lembrei de tudo que eu tinha feito até então no arroz número 3, obviamente pegando o sal em primeiro de tudo. Põe água para ferver na chaleira, põe oléo na panela, coloca o alho picadinho, deixa dar uma fritadinha. Fritou? Coloca o arroz, mexe bem até sumir um pouco do brilho do óleo. Quando estiver “fritadinho”, completa com água fervendo, mexe bem e coloca o sal.

Como este tinha sido o meu erro no arroz anterior, me dediquei. Coloquei sal, experimentei, coloquei mais sal. Quando a água estava secando furei o arroz com o cabo da colher de pau, vi se tinha água no fundo, se estava sequinho e ele estava PERFEITO!!!!

“Maridão!!! Tá na mesa” (Os acompanhamentos estavam sendo feitos paralelamente, pois sou uma cozinheira multitarefas, viu?)

Ele admirou meu arroz. Se serviu com gosto. Arroz, brócolis e peito de frango.

Eis quando ele deu a fatídica primeira garfada. Para falar a verdade os dois deram a primeira garfada juntos. Eu, como cozinheira, me contive e perguntei o que ele tinha achado.

A resposta veio com gargalhadas (minhas e dele). Eu me dediquei tanto, mas tanto, que tinha mais sal do que arroz na panela. No medo de errar de novo acabei estrapolando horroooores no sal. Esqueci daquela provadinha básica que todo mundo dá na água que está cozinhando o arroz.

Apesar do sal com arroz, comemos muito bem. E tomamos também uma garrafa de 1,5 litros de Coca Cola no jantar.

Aprendi a lição. Do quinto arroz em diante o sal está sempre por perto e a primeira coisa que eu faço é experimentar o arroz. 🙂

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