Durante toda a minha infância eu sempre babei em uma geladeira antigona que minha avó tinha em casa. Um dia vi em uma revista de decoração uma parecida super bonita e reformada no meio de uma sala.

Naquele momento uma luzinha se acendeu na minha cabeça e não pensei duas vezes. Liguei pra vovó: “Vó, sabe a sua geladeira antiga? No dia em que ela parar e funcionar você dá ela de presente pra mim?”

Ela é de 1900 e cinquenta e pouco e era da minha bisavó Emília. Foi a primeira geladeira da família e ficava no sítio da família no interior de SP. Originalmente azul calcinha, ao longo dos anos ela ganhou camadas e camadas de latex branco. O estado dela não era tão bom assim e eu achei que ela pararia de funcionar bem antes do meu casamento.

Pois bem. Apartamento comprado, data do casamento marcada, reforma em andamento e a geladeira nunca parou de funcionar.

Até que um dia juntei toda a cara de pau possível e liguei pra vovó de novo: “Vó…Sabe o que é? Sabe aquela minha idéia de ganhar a sua geladeira? Então…Estamos começando a reforma do apartamento e se a gente for tê-la no meio da sala, precisamos mandar pra reforma. Ela já parou de funcionar?” Obviamente a resposta foi negativa mas tive o aval da vovó para ir buscar a geladeira no sítio.

Pegamos uma Saveiro emprestada e fomos pro Interior. Tirar a geladeira do lugar foi um parto. Porque assim como ela é grande, ela é pesada. Mas com a ajuda do meu avô, um sobrinho e um irmão dele, mais eu e o Maridão conseguimos colocá-la na saveiro.

A viagem para SP foi tensa, mas tensão maior ainda foi eu e o maridão termos que tirar ela sozinhos do carro na garagem de casa. Parecia impossível mas a gente conseguiu.

Achei um lugar super bacana, especializado em reforma de geladeiras antigas, que foi em casa fazer um orçamento. Quando o cara chegou babou… Os vizinhos passavam pela garagem de casa, paravam e tocavam a campainha, perguntando se a geladeira seria doada ou se estaria à venda. “Não não não. Ela é minha!!!”

Depois de 3 meses de trabalho duro, recebemos nossa geladeira de volta (já no apartamento reformado). Ela voltou novinha em folha: pintura automotiva, ferrugens consertadas, todas as ferragens recuperadas e novinha em folha. Até o motor funcionaria se a gente quisesse.

Verdade que ela foi um elefante “preto” no nosso projeto independente de decoração, mas dá orgulho de entrar em casa todo dia e ver o meu xodó na sala, novinha em folha.

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