E chegou a hora de dar meu testemunho sobre a “saga da busca do c* da casa nova”. Minha versão da história tem algumas diferenças com relação ao testemunho da minha esposa. E prepare-se, sou detalhista!

Primeiro, esses quase 12 meses que passaram até encontrarmos nosso cantinho não podem passar em branco neste post.
Baseados em conselhos, decidimos começar independentes, afinal os corretores de imóveis fazem parte de uma raça a qual a ciência ainda não conseguiu explicar direito.

Mas por onde começar?  De maneira aleatória começamos a rodar pela cidade, felizes e imaginando como seria se encontrássemos o certo. E não é que encontramos um prédio com uma placa de “vende-se” que tinha nossa cara? Pois é. Na primeira rua, primeiro dia, sem muito esforço. Paramos na frente do edifício na Lapa e a Aninha foi a escolhida para descer e perguntar sobre o apartamento a venda. Eu fiquei lá só esperando dentro do carro e pensando: “pfff essa foi moleza!”. Ela voltou em poucos segundos, com um sorriso constrangido. Ao entrar no carro, ela olha pra mim e diz: “É, acho que estamos perdidos. O apartamento está a venda por X mil reais.” Ficamos mudos por um segundo e começamos a rir pela nossa falta de noção. Claro que o prédio era lindo e perfeito, mas estava só 8x fora de alcance.

A partir daí, todo fim de semana era a mesma coisa. Ruas de Perdizes, Lapa, Vila Olímpia, Itaim e Pompéia sendo vasculhadas e em a cada prédio a gente parava o carro, tirava no “par ou ímpar” e o perdedor descia para fazer a famosa pergunta: “Tem algum apartamento a venda aqui?” Parece simples, mas para nós dois aquilo era uma tortura. A resposta era quase sempre: “Tem não, senhora.” Claro que depois do trauma na Lapa, a gente só parava nos prédios mais feios para fazer a pesquisa. Esses sim, estavam na nossa verba.

Depois de nos rendermos aos famosos corretores, começamos a conhecer apartamentos dos mais estranhos estilos. E teve um prédio que ficou como Top Fail. Foram dois apartamentos vistos neste mesmo lugar. E aqui tem o segundo ponto que eu lembro de uma maneira diferente da Aninha. Eu lembro que teve um apartamento em que o chão era todo rosa perolado e no caminho para os quartos tinha uma porta amarela igual a de um Saloon. Como não tínhamos muitos dinheiros para reforma, nos matamos de rir e fomos embora.

Após um longo período de visitas acompanhadas por um corretor suspeito e um sentimento de semi desespero, a patroa começou a procurar por conta própria em sites de imóvel. Era de manhã, eu estava a todo vapor no trabalho – tá bom, publicitários são lentos de manhã, mas neste romance, eu estava uma máquina – e meu telefone sinalizou uma ligação da namorada. Eu atendi e ela estava agitada. Finalmente tínhamos chegado ao final da busca. Ela tinha encontrado o apartamento que fez seu sininho tilintar como nunca. Eu fiquei eufórico de felicidade. Levantei da minha cadeira e fiquei andando ao lado da impressora na agência como se ninguém precisasse usá-la. Eis que na conversa surge um: “mas amor, me promete uma coisa?”.

Epa, vamos com calma! Quando mulheres mandam essa máxima no meio de um diálogo, tem coisa. Se era o lugar ideal, porque eu tinha que prometer algo? No futuro eu aprenderia porque elas são tão incríveis. Porque as mulheres fazem o que querem com os homens. São estrategistas natas, não existe frase mal pensada. Elas sabem exatamente como começar para terminar do jeito delas. Que fique claro que sou fã dessa habilidade já citada aqui.

Ok, voltando… ela finalmente mencionou o tal prédio velho como o local do apartamento. O engraçado é que ela tinha esperança que eu não lembrasse. “Anota aí o endereço. Rua tal…” quando eu ouvi o nome da rua, na hora perguntei se era no tal prédio. Danadinha, se eu não pergunto, ela não comentaria nada. E na sequência tive que fazer a tal promessa: ir visitar o imóvel sem preconceitos. Eu prometi mas fiz questão de afirmar que seria difícil achar algo interessante ali.

Terceiro e último ponto que divergimos em nossas versões: ela foi junto. Claaaaaro! Ela jamais suportaria ficar em casa enquanto eu julgava o lugar em que ela queria morar pelos próximos anos. Lembro-me que descemos no andar certo, ela olhou pra corretora e disse “deixe ele entrar na frente, para ter a mesma sensação que eu”. Fazendo toda uma pressão psicológica.

Quando a porta se abriu a sensação foi indescritível. Eu descobri o que é ouvir os sinos tilintando. Eu me vi naquele apartamento desde o primeiro instante. Claro que como bom homem que sou, me mantive cético. Não esboçava nem um sorriso, olhando tudo como se fosse um avalista da Caixa Econômica Federal. O que ela não sabia é que eu tinha certeza em meus pensamentos de que finalmente a procura tinha acabado. A corretora não sabia se falava, se chorava, se corria e a Aninha fazendo seu papel:

– Ooooolha amoooor, tem armááário, tem piiiiiiiiso, olha esse sofá… ahn??
– Aninha, se a gente comprar, o sofá vai sair.
– É verdade, mas da pra notar que o apartamento tem potencial, né?

Eu mantive minha postura séria até final. Quando saímos do prédio e nos despedimos da corretora, fomos almoçar para conversarmos sobre o tal apartamento. Neste momento eu pedi uma cerveja, olhei pra ela e disse “vamos comemorar porque finalmente vamos casar!”

É simplesmente incrível como nos sentimos bem aqui. Desde nosso apto, até os moradores e funcionários do condomínio.
Achamos um lugar iluminado de felicidade.

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