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Quando casamos passamos por um momento difícil na hora de fazer as malas. Para as mulheres então, este momento é ainda pior. E se eu quiser usar aquela calça jeans que ficou e ela estiver “na casa da minha mãe” e não em casa?

Eu comecei esta etapa do processo antes. Separei no armário as coisas que iam e as que ficavam. Acho que passei um mês só usando o que ficava, pra não sentir saudades. Chegou o final de semana antes do casório oficial, fizemos as malas (depois do almoço para comemorar o casório no cartório) e lá fomos nós, pro apartamento, com o carro cheio para começar a arrumar as coisas.

Olhamos para todos os armários e fizemos uma “semi” divisão que dura até hoje (obviamente que eu fiquei com muito mais espaço do que o maridão) e começamos a guardar as coisas. Não preciso dizer que o armário lotou em 5 minutos, né? Então, com todos os armários lotados, vamos para a Lua-de-Mel e trazemos mais coisas para rechear a casa (não dá pra resistir à tentação de relaxar do estresse do casamento fazendo compras, poxa).

Mas nos últimos dois finais de semana eu me toquei que isso não acaba nunca. Vou pra casa dos meus pais no Interior e trago alguns sapatos, passo na cada deles em SP e levo algumas bolsas, vou arrumar minhas tranqueiras no meu ex-quarto e loto uma sacola com coisinhas miúdas que quero comigo. Às vezes eu também levo umas coisas, mas já estou sem espaço em casa (e comecei a guardar alguns sapatos no baú em baixo da cama), mas é irresistível… Será que isso não acaba nunca?

E porque não o meu ponto de vista?

Não é preciso conviver com uma mulher diariamente para saber alguns detalhes do comportamento feminino. Isso parece tudo muito claro, até que se viva na pele algumas dessa pequenas manias.

Sim é verdade que nós homens também temos algumas peculiaridades que nascem dentro nós. Um exemplo rápido e básico é o comportamento em um estádio de futebol (ainda mais aqui no Brasil). São milhares de homens juntos, abraçados, algumas vezes sem camisa, cantando, pulando, chorando, xingando e, nos casos mais exaltados, até brigando como se o mundo estivesse acabando. Assim como em alguns pontos eu sou uma excessão se comparado com a maioria dos homens, minha esposa também é, ou seria.

Em um sábado não muito distante, saímos de casa a pé para comer e já na ida fui avisado: “depois vamos passar naquela loja de sapato porque eu preciso pegar um brinde!”. Eu achei estranho aquele argumento. Oras, um brinde?
Fomos ao restaurante e após a refeição, inevitavelmente a hora de ir até a tal loja havia chegado. Tentei fingir que não lembrava, mas não teve jeito. Ao chegar na loja me contentei. Bem, em pleno sábado, quem estaria numa loja de sapatos fora de um shopping? Não seria tão difícil.

O otimismo acabou antes que eu pudesse concluir o pensamento. Ao entrar na loja, vi mulheres de todos os jeitos, não estilos. De pé, sentadas, penduradas no lustre, sorrindo… os poucos homens, se não estavam segurando um bebê andando de um lado pro outro, estavam experimentando sapatos com uma mulher do lado dizendo “Amooooooor, olha esse DA QUI!”

Fui ágil em estipular um tempo limite de permanência naquele ambiente selvagem. Após o trato feito, caminhei lentamente para procurar um sapato pra mim enquanto ela desaparecia na multidão. Não aguentei ficar 5 minutos.

Voltei para procurá-la e quando encontrei, vi uma das cenas mais chocantes de minha recém vida de casado. Eu nunca tinha visto minha esposa tão familiarizada em um ambiente estranho em tão pouco tempo. Ela sorria, olhava sapatos como se fossem todos de graça. Ela e as inúmeras mulheres em volta se comunicavam com olhares e gestos, sem falar uma palavra. Uma soltava um sapato, a outra automaticamente pegava. Uma procurava nas prateleiras e encontrava o seu preferido nos pés da outra.
Ela reconheceu minha cara de assustado e colaborou: “Não gostei de nenhum mesmo. Vamos embora.”

Na saída, com habilidade nata de uma pessoa vivida, ela chegou a porta de saída em 1 minuto e ficou esperando mais 5 até que eu conseguisse driblar todos os obstáculos.

Voltando de mãos dadas e rindo da situação, eu perguntei sobre o brinde. “Putz, esqueci de pegar!!”

Quem sou eu?


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